
Mulher que, da superfície duma posição excitante,
me convida,
subtilmente,
para um intenso mergulho
(ou voo de Pássaro)
ao âmago suculento
do seu coração apresado...

... É mulher que, no olhar dum Pássaro,
um Pássaro Distante,
não esquecida,
fatalmente,
do orgulho,
ou de um outro lamento,
duvida dum nosso pecado...

Em botas que, em desalinho, desestruturam
a inquietude duma primeira vez,
preparam e amparam
o caminhar duma mulher,
impura,
que, frenética,
ou talvez não,
deseja, em ritmado galope, dominar-me,
uma, duas... três...

Em acentuada dimensão,
de incontornável energia amorosa,
num clima de frenética, ou alta, tensão,
qual "irmandade" da rosa,
louca e esplendorosa,
ergue-se do confortável encosto,
e com seus olhos de fogo posto,
ocultos pelo anonimato,
despe as vestes do meu fato,
as linhas de um azul ingrato,
preparando-se para o comum acto...

Na frente e no reverso
dum verso avesso,
um homem perplexo
com cada recomeço...
em norte inverso
e aconchego espesso.

Escorre do invertido epicentro dessas pernas saciadas
o suor envolto em lactante prazer,
ou plena satisfação,
num tempo sem tempo,
nem horas marcadas
que dura, em arritmia,
fragmento a fragmento,
até ao cúmplice serão.

Dessa nutrida superfície,
ou pedestal de saciada ansiedade,
volta, tal mulher,
em elegante, e provocante, linha,
a repousar,
no conforto dum assento,
e a lançar,
dos confins de um oculto pensamento,
renovado e telepático desejo,
proibido,
de acentuada proximidade
e de oportunidade,
haja ensejo.

Olhar mutuamente secante
e um corpo-a-corpo tangente,
iluminado pelo luar,
e pela maresia, ternamente absorvida
por textura, entretanto, confundida…
Fotografado tal instante,
seu peito, ora dormente
de tanto se entregar
à lua unida,
renasce para a vida.
Se não te mostro a minha música
Sou um peixe fora de água,
Uma assinatura sem rubrica,
Ou uma lágrima de mágoa.
Se não te mostro os meus textos,
Serei um escritor sem leitor,
Sem alma, chama ou vigor,
Ou a simples roda sem eixos.

Se não te mostro a minha vida
Serei uma ave perdida,
Ou uma flor sem qualquer cheiro.
Se não te mostro como sou
Não saberei por onde vou:
Não sou metade... nem inteiro.
Uma pessoa amiga dizia-me que eu era seu "anjo-da-guarda".
Em resposta, disse-lhe que:
"Com essa deste cabo de mim em dois tempos: ou fizeste-me perder a vida, ou fizeste-me perder o sexo!"
Um abraço do Pássaro.
I
E quem não viu Vinícius de Moraes,
Não compreendeu esse seu viver.
Mostra reles ensejo de "ter mais",
Mas não sabe o que anda a fazer.

Poeta dumas letras imortais:
Revelando o sentido desta vida,
Interpolada nos sons musicais
E aconchegando cada batida.
II
No desespero de quem nada faz,
De quem critica sem nada aprender
E se conforta nos temas banais,
Justificando assim seu maldizer:
Aquele que não sabe o que é Justiça,
Senão no dia em que ela o apanha,
É instrumento dum Mundo sem liça
Qu' enaltece o rancor e a vil manha.
III
Poeta, ainda bem que já partiste
Para as estrelas, que te aconchegam.
Pois, neste Mundo, o que é belo é triste
E para ser livre... já não nos sossegam.
A liberdade tornou-se uma puta!
A melodia agora é banal.
Quem quer ser sério perdeu sua luta;
Este hemisfério mudou de canal.
Deixou de haver um tempo para gritar.
Calamos com medo de represália.
Até o sonho proíbe o... sonhar,
Como se usasse permanente algália.
IV
E, tal como pragas de gafanhotos,
Multiplica a "espécie" dos "lambe-botas":
Infestam o ar, com seus perdigotos
E nos bastidores com suas batotas.
Esse reles covil, em romaria,
Suga tudo à volta, sem se ralar:
A praga, para quem nunca é mau o dia,
Sonega o direito ao bem-estar.

Em bando, ou bacanais da Roma Antiga,
A minoria que tem o poder
Fomenta a miséria e a briga
E bebe até ver o Sol nascer.
V
Democracia tão desamparada
Que quer (?) dignificar instituições
Claudica com pandilha orquestrada,
Em cada uma das ocasiões.

Aberta, ou rasgada, a parte púbica
Por quem, pela "soberba", dita a lei,
Aquela, a quem chamam de "República",
Embriagada, diz-nos: "nada sei..."
VI
Por isso, meu amigo, meu poeta,
Que imortalizaste a tua voz,
Agora eu te digo, pela certa,
Porque é que nos sentimos muito sós...
VII
A solidão seria estado de alma,
Refúgio para estado criativo.
Agora é uma prisão sem calma:
Boicota quem queira ser produtivo.
Se, dentro dessa solidão negada,
Pudesse descrever tudo o que sei,
Estaria minha vida acompanhada
De pétalas que me tornassem Rei.
Qual realeza, simples e honrada,
Brilhando no calor de cada dia,
Contendo energia acumulada
Que só sã solidão permitiria.
Multiplicando a onda positiva,
Ornamentando a "cidade dos justos",
Poeta, de olhar são e voz altiva,
Cantava contra a fome e contra os custos.
VIII
Numa sociedade desumana,
Qual grupo tão cioso de seu posto,
Quem quer estar bem na vida é sacana
E foge, o mais possível, ao imposto.
O Estado já não tem moralidade,
E mostra conivência na batota.
Obtém comissão, com impunidade,
De quem comprou terrenos pela OTA.

Na corja dos interesses confundidos
(Chamados "Compromisso Portugal"?),
Os gestores dos nossos "bens falidos"
Compõem na reforma desigual.
E, do seu pedestal de sapiência,
Lamentam, com toda a propriedade,
O fim da imperfeita Previdência
Que dá uns reles trocos, na verdade.
Mas até isso é alvo de cobiça,
Assim obriga a OTA e TGV,
E mais algum projecto que atiça
Aquela "comissão" que não se vê...
IX
Aquele que se diz socialista,
No fundo, devia ter outro nome:
Talvez fosse melhor comissionista...
Pois assim, certamente, não tem fome.
As pragas de gestores, formatados
Nas mais honrosas universidades,
São "sangue-sugas" muito mal formados
Que causam dor nestas comunidades.
Desculpam-se na globalização
E na palavra "rentabilidade".
Mas não fazem mais que especulação,
Brincando com a vida na cidade.

Engrossam fileiras do desespero,
De quem já não tem nada a meio do mês,
De quem perdeu orgulho e o esmero
E maldiz porque nasceu português.
Mas a questão ainda é mais grave,
Porque a fome gera a violência.
Gestor, politico: são um entrave.
Se têm o poder... falta ciência!
X
Por isso, com censor omnipresente,
E risco de auto disciplinar,
Na charrua da vida de docente
Alguém teve a coragem de bradar!

Para ser "Aristides Sousa Mendes",
"Cônsul" na própria terra lusitana,
Perante delatores: não te vendes,
Mostrando à tal "Gestapo" quem engana...
Refugiado no próprio País,
E alvo de imbecil perseguição,
Pouco falta para "estalar verniz"
E destinar o fecho desta mão!
Amnistia Internacional,
Que denuncia o que ninguém quer,
Chegou a vez de vir a Portugal
E "pôr na ordem" tudo o que puder.
XII
Por tal escrev' em terras deste Brasil,
Fora d' âmbito territorial,
E voo, dentro deste meu perfil,
Pra longe do que "é" hoje Portugal...
E deste meu olhar, independente,
- Mas não se leia Universidade... -
Remeto-me, pura e simplesmente,
Na solidão, à qual ninguém invade.
Post-Scriptum:
Eu quero agradecer a quem me lê,
E é tão "corajoso" a comentar...
Tal como um "livro em branco" que se vê
Na estante que ninguém quer arrumar...
XIII
Poeta, amigo, velho, confidente:
Parceiro invisível destas "flores",
Lamento esta tristeza saliente
E de abusar de ti nas minhas dores.
Um Pássaro que já chorou de amor,
E chora por viver na solidão,
Apoia-se em seu Mestre difusor
Nas letras que soluçam desta mão.

Em nome duma Amada envergonhada,
Ou Musa que não sabe o que quer,
Seus olhos sofrem tudo e vêem nada,
E lêem seus receios de mulher...
XIV
Aqui não há trajectos de Ipanemas,
Aqui só há objectos de vaidade;
Aqui não há tertúlias, nem poemas
Que tenham uma música que agrade.

Se a bebida é fonte de prazer,
No Rio era de inspiração.
Aqui se bebe até mais não poder
E não há ninguém que veja a canção.
Assim se explica a minha solidão.
Assim se explica a falta de tesão.
Perdoa-me esta má educação,
Mas agradar a todos é que não.

"E a rosa que te dei
Não foi criada num jardim
Por isso tinha mais significado para mim.
A rosa que te dei
Era uma terna e simples flôr,
Que fez nascer em nós
Um grande amor."
(Refrão de "A Rosa Que Te Dei", letra e música de José Cid)

«Água que oscila nas sombras do meu nariz e me desafia para um mergulho infeliz...» (Pássaro Distante)

"A tua beleza é rara e efémera, como a tua vida, como efémero será tudo o que verdadeiramente de belo se depara aos nossos... olhares!"

MAR DO OUTRO LADO (Pássaro Distante)
Se eu pudesse retirar esta saudade
Dos confins do meu olhar emudecida
E te a desse, embrulhada na vontade,
Para sentires como anda a minha vida...
Se eu pudesse dominar o meu lamento
Sem as notas deste acorde angustiado
Que esvoaça abafado pelo vento
E não sopra junto de quem está calado.
Se eu pudesse mostrar-te este olhar ausente
E o perfume dum tal corpo arrastado
Para o cais que não recebe sorridente
O silêncio de quem seja abandonado.
Se eu pudesse viver anestesiado
Pelo tempo que durasse a tua ausência
Ou presença nesse «mar do outro lado»
Que se agita ao pé de ti com veemência.
Se pudesse... mas não posso interferir
Com a corrente, prepotente, do destino
Que te prende na vontade de partir
E afoga o teu sonho de menino.

O que diz um mal-me-quer a um bem-me- quer:
- "Ai quem me dera
ser a tua Primavera
para depois morrer em paz!"

"...e nada mais faz diferença....
O presente com a distância na lembrança:
quando o sonho reflectia uma crença
e a tristeza camuflava a esperança."
(excerto de "Nada Mais")
E mais um ano em que a "III República" continua a celebrar o facto de ser o grande "chulo" da Democracia portuguesa...

Duas crianças estavam patinando num lago congelado da Alemanha. Era uma tarde nublada e fria, e as crianças brincavam despreocupadas.
De repente, o gelo se quebrou e uma delas caiu, ficando presa na fenda que se formou.
A outra, vendo seu amiguinho preso e se congelando, tirou um dos patins e começou a golpear o gelo com todas as suas forças, conseguindo por fim quebrá-lo e libertar o amigo.
Quando os bombeiros chegaram e viram o que havia acontecido, perguntaram ao menino: "Como você conseguiu fazer isso? É impossível que tenha conseguido quebrar o gelo, sendo tão pequeno e com mãos tão frágeis!"
Nesse instante, o génio Albert Einstein que passava pelo local, comentou: "Eu sei como ele conseguiu."
Todos perguntaram: "Pode nos dizer como?"
"É simples", respondeu o Einstein, "não havia ninguém ao seu redor, para lhe dizer que não seria capaz. Deus nos fez perfeitos e não escolhe os capacitados, capacita os escolhidos."
Fazer ou não fazer algo, só depende de nossa vontade e perseverança.
(Albert Einstein)
Conclusão: "Preocupe-se mais com sua consciência do que com sua reputação. Porque sua consciência é o que você é, e sua reputação é o que os outros pensam de você. E o que os outros pensam, é problema deles."
Ah! Amor..
Amor!
Ah! Amor....
Que acomete a gente
Assim, de repente!
Que força é essa?
Que corre pelas veias
Demonstrando a força da Natureza
dos corpos, dos olhos, dos espíritos e das almas?
Amor, amor...
Que ora confunde-se com dor.
De tanto amar
De tanto amor
A alma aquece
O coração esquece.
Que ambos sofreram um dia
Com dores de partidas..
O Amor que aquece tudo esquece.
A favor de manter viva a chama
Da vida que clama....
Por Amor... por amor.
(Ana Fecunda)
Amiga de Pássaro Distante