abril 30, 2007

Nice Trip Music - Séance

O melhor pianista madeirense do Século XXI, Nuno Filipe, lançou recentemente o seu primeiro CD!

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Meu colega de piano, em meados da década de 80, no Conservatório de Música da Madeira, Nuno Filipe, que, paralelamente à formação clássica/erudita adquiriu uma sólida formação em jazz, com Tony Amaral, foi aperfeiçoar o seu talento para a Grã Bretanha durante algum tempo, onde conheceu novas pessoas e ideias.

Em resultado dessa experiência e da sua grande generosidade artística, Nuno Filipe regressou à ilha da Madeira, decidindo deixar registado o seu talento na terra das suas raízes.

Este trabalho, para quem aprecia música sem tabus ou preconceitos, convida-nos a entrar numa outra dimensão. Eu entrei... gostei! E regresso sempre com muita vontade.

Por outro lado, é um grande orgulho para o Pássaro Distante ser amigo de Nuno Filipe. Durante duas décadas estivemos separados e de vez em quando nossos piano e bandolim se encontram para, mais do que tocar Bossanova ou Jazz, saudar um reencontro de amigos. Lembrando o poeta Vinícius de Moraes: "A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida".

Porque escreveu, uma vez, Richard Bach, no livro "Fernão Capelo Gaivota" (adaptação minha): "se a nossa amizade está dependente de coisas como o Espaço e o Tempo, quando finalmente as tivermos ultrapassado teremos destruído a nossa irmandade: ultrapassado o Espaço, resta-nos Aqui; ultrapassado o Tempo, resta-nos Agora. E entre Aqui e Agora, será que nos podemos encontrar, algumas vezes, por aí?"

Um grande abraço Nuno Filipe e as maiores felicidades.

do Pássaro Distante

P.S. - Quem quiser viver esta experiência musical maravilhosa, das duas uma: ou clica na imagem que tem o link para a página do Nuno Filipe, ou manda um e-mail para seteoficios@gmail.com a encomendar o trabalho, encomenda que será reencaminhada imediatamente para o seu Autor.

Postado por Pássaro em 09:59 AM | Comentários (1)

abril 21, 2007

Andando pela Rua do Carmo...

DIZ QUEM SABE
(Fado de autoria desconhecida, mas interpretado por Rodrigo, in "O Charme do Fado")

I

Dizem que o Fado anda louco,
Diz quem sabe, diz quem sabe.
Dizem que à noite sai pouco,
Diz quem sabe, diz quem sabe:

Dizem que canta baixinho,
Dizem que morre sozinho
De saudade, de saudade.

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Refrão

Se o Fado olha o Tejo,
Se pensa num beijo,
Se cheira uma flor.

Se sente poeta
Sem jeito, na certa
o mal é Amor.

Se o Fado chorando
vai desabafando
Mas volta a cantar:

Então só nos resta
Esperar essa festa,
deixá-lo chorar.

II

Dizem que o Fado anda triste,
Diz quem sabe, diz quem sabe.
Dizem que já não resiste,
Diz quem sabe, diz quem sabe.

Dizem que fala sozinho,
Que anda de amores perdidinho
É verdade, é verdade.

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Postado por Pássaro em 09:38 AM | Comentários (0)

abril 14, 2007

No Ciclo da Lua Celta... (Pássaro Distante, 02.03.2007)

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Se te pudesse dizer tudo o que sinto
E, assim, cativasse a tua atenção,
Percebias meu olhar triste, indistinto,
Por calar o que na alma tem expressão.

Se me desses um sinal “de hora certa”
Em que nada se revela impertinente,
Libertava algo que, em mim, aperta
E receia afastar-te, fatalmente…

Se me desses o exprimir imponderável,
Sem receio de qualquer repercussão,
Saberias pressentir o agradável
De tudo o que venha só do coração.

Percorresses o caminho desta luz
Ou, por vezes, chama que tudo incendeia,
Acolhias um olhar, e sua cruz,
Que lamenta não te ver na lua cheia.

Se pudesses estar aqui, de forma clara,
E sanasses todas as contradições
Talvez visses, neste ser, beleza rara,
Com o qual quisesses sentir emoções.

Se “puxasses” da tua psicologia,
Aplicando-a à presente situação,
No conforto das palavras dir-me-ias
Que: qualquer anseio meu será em vão?

Porque a vida é resguardo e desafio
No respeito de cada intimidade
Caberá, após leres o que confio,
Decidir o rumo da tua “verdade”.

Postado por Pássaro em 09:28 AM | Comentários (3)

abril 09, 2007

Amor do Mar e Outros Poemas (poema de Fernando Rente)

Quando partires irás
Pelo mar Atlântico
As ondas são meus abraços
O sal, o sabor dos lábios.

Sei que ilha a ilha

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Continente a continente
Terra e mares oceânicos
Voltarás um dia, uma noite

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Cheia de gotas de espuma
Cheia de beijos de lágrimas
O olhar fixando um rosto
Velho, de traços vincados

(poema de Fernando Rente, in “AMOR DO MAR e Outros Poemas”, edição Campo das Letras)

Postado por Pássaro em 08:55 PM | Comentários (2)

abril 02, 2007

Noite de Lua Celta... com poema de Eugénio de Andrade


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URGENTEMENTE

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão, crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

(Eugénio de Andrade)

Postado por Pássaro em 08:33 PM | Comentários (2)

abril 01, 2007

Ressaca (texto de João Pedro Bernardo, Lisboa)

«A madrugada veio faminta e devorou a noite, como sempre. As sombras despertavam perceptíveis aos meus olhos, flutuando como um peixe perdido entre duas águas, tentando entrever a realidade, procurando-a nos recantos e noutros sítios óbvios, evitando apenas o pó e as curvas intrincadas.

Ao descrever um arco aleatório, estremeci ao contacto visual com o vidro agora despedido de veneno. Brutalmente recuperei a cumplicidade com o espaço, com o momento, percorrendo-me um frémito, urgente e avassalador, que arrastou montanhas até abrir uma porta onde tu jamais estavas, onde tu nunca estiveste.

Então a dor voltou, uma vez mais...»

Texto de João Pedro Bernardo, Lisboa
(Publicado no Diário de Notícias de Lisboa no dia 27 de Novembro de 1998)

Postado por Pássaro em 06:32 AM | Comentários (1)