janeiro 29, 2007

Piano na Mangueira / Piano na Madeira

Tudo começou num fim de tarde de sexta-feira, onde uma indómita vontade de me sentar neste piano assolou o meu espírito.

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De repente, «não mais que de repente», como que querendo libertarem-se do meu pensamento, saíram, do nada, os acordes da melodia de Tom Jobim e de Chico Buarque, “Piano na Mangueira”.

Com Chico Buarque, na casa da Rua Peri.jpg

Piano na Mangueira
(António Carlos Jobim e Chico Buarque)

Mangueira
Estou aqui na Plataforma da Estação
Primeira
O morro veio me chamar
De terno branco e chapéu
De palha
Vou-me apresentar
À minha nova parceira (majestosa)
Já mandei subir
O piano pra
Mangueira

A minha música não é de levantar
Poeira
Mas pode entrar no barracão
Onde a cabrocha pendura
A saia no amanhecer
Da quarta-feira, Mangueira
Estação Primeira

Ao mesmo tempo que a letra desta música percorria o pensamento, com a transcrição dos acordes, começou a surgir uma nova letra para a mesma, inspirada na minha Ilha da Madeira e da sua realidade actual.
E assim, também do nada, este:

Piano na Madeira
(Tom Jobim & Pássaro Distante)

Madeira!
Estás aqui junto ao meu peito, ou posição
Cimeira.
E o povo veio confirmar.
Filha de basalto ilhéu
Não falha
No bem cativar
Em verso e prosa, ou colcheia.
Mandei assumir
Um bilhete pra
Madeira!

A natureza manda o lobo (*) abraçar
A freira (**)
Dentro do Parque Natural (***)
Quem parte a rocha ilude
A farda, que finge não ver
Falsa pedreira, Madeira:
Posição cimeira.

lobo marinho.jpg

(*) Em Portugal, o Lobo Marinho está limitado a uma zona nas Ilhas Desertas, no arquipélago da Madeira. Esta espécie, conhecida por foca-monge, existe ainda em vários territórios no Mediterrâneo.
Na Madeira, esta espécie era, noutros tempos, muito frequentemente encontrada. Na altura em que as ilhas do arquipélago foram colonizadas pelos portugueses, um dos pontos onde se podia encontrar grande quantidade destes animais era a actual Vila de Câmara de Lobos, que deve a esse facto o seu nome.

Freira-da-Madeira.jpg

(**) A Freira da Madeira, Pterodroma madeira, é a ave marinha mais ameaçada da Europa e, provavelmente, de todo o Mundo.
É endémica da Ilha da Madeira, onde nidifica na parte oriental do maciço montanhoso central.
A população está estimada em cerca de 30 casais reprodutores.
A ave está classificada como extremamente ameaçada e até ao início dos anos 70 foi considerada extinta.
É urgente criar as condições ideais para a restauração do seu habitat de nidificação, crucial para assegurar o seu ciclo de vida.

Parque Natural da Madeira.JPG

(***) Visando a salvaguarda dum vasto património natural, que constitui uma raridade a nível mundial, foi criado, em 1982, o Parque Natural da Madeira, parque classificado como Reserva Biogenética, na qual pode ser encontrada uma flora e fauna únicas.

O parque engloba cerca de 2/3 do território da ilha e nele estão definidas reservas naturais integrais e parciais, paisagens protegidas e zonas para recreio.

Principais reservas do Parque Natural da Madeira:

Reserva Natural das Ilhas Desertas

As Ilhas Desertas estão situadas a cerca de 22 milhas a sudeste da cidade do Funchal.
Hoje em dia representam o último refúgio atlântico para a Foca Monge (Monachus monachus), a foca mais rara do Mundo.
A presença destes mamíferos marinhos foi a principal razão para a criação da área de protecção das Ilhas Desertas que, em 1992, foram classificadas como Reserva Biogenética, pelo Conselho da Europa.
Algumas das medidas impostas para a preservação da Reserva são a proibição total da actividade de pesca submarina, tal como a proibição da navegação na parte sul da mesma.
Para fundear qualquer embarcação ou visitar a Deserta Grande é necessário obter uma credencial dos Serviços do Parque Natural da Madeira.

Reserva Natural da Ilhas Selvagens

As Selvagens são constituídas por dois grupos de pequenas ilhas, a Selvagem Grande e a Selvagem Pequena. Estão situadas a cerca de 180 milhas da Ilha da Madeira.
A Reserva Natural das Ilhas Selvagens foi criada em 1971, sendo uma das mais antigas reservas naturais de Portugal.
Na Selvagem Pequena e no Ilhéu de Fora nunca foram introduzidos herbívoros, pelo que das noventa espécies que representam a herança floral das Selvagens, dez são endémicas.
Estas Ilhas são também consideradas como um "santuário ornitológico", devido às condições que apresentam para a nidificação de aves marinhas.

Reserva Natural Parcial do Garajau

Esta reserva, criada em 1986 e localizada na costa sul da ilha da Madeira, constitui uma fantástica reserva marinha.
Entre a fauna que ali se pode observar, contam-se alguns peixes de grande porte, como o Mero, (Epinephalus guaza) ou a Manta e a Jamanta (Manta birostris, Mobula mobular), cujo porte e graciosidade de movimentos fazem do local uma atracção internacional, para além de uma grande variedade de outras espécies costeiras.
A passividade dos peixes, habituados a conviver com os mergulhadores, permite a liberdade de nadar entre eles, com excelentes oportunidades para a fotografia aquática.
Dentro da área de reserva é proibida qualquer actividade de pesca e a navegação está também condicionada.

Reserva Natural da Rocha do Navio

Pertencente ao concelho de Santana, esta reserva foi criada no ano de 1997.
Estabelecida por sugestão da população local, inclui uma faixa de mar, habitat potencial da Foca Monge (Monachus monachus), mais conhecida por Lobo Marinho e um ilhéu onde é possível observar algumas plantas próprias das falésias naturais macaronésicas, mas raras no espaço insular.
O acesso ao espaço marinho é livre, mas a prática de caça submarina e o uso de redes encontram-se proibidos.

Postado por Pássaro em 06:52 PM | Comentários (0)

janeiro 25, 2007

Corrente de sorte para Doce Maior

teka.jpg

Sem querer teorizar muito, nossa vida é marcada por momentos mais ou menos efémeros, alguns de felicidade, outros de tristeza ou de infortúnio.

Nessas alturas as nossas "caminhadas no deserto" demoram mais ou menos tempo consoante, também, o apoio das pessoas que nos rodeiam (familiares e amigos) ou que pensam em nós com muito amor e carinho.

Doce Maior, cujo “site” descobri, por acaso, há mais de meia década e que agora está desactivado, é uma pessoa maravilhosa que, com a humildade que torna os humanos divinos, me pediu para organizar uma corrente de sorte.

Correspondendo ao seu pedido, meu e-mail (passarodistante@gmail.com) será o “depósito” de todas as mensagens de carinho, de amizade e de sorte que me encarregarei de reencaminhar para a minha amiga.

Alguém disse um dia: “nas costas dos outros vemos as nossas”…

Muita sorte cara amiga Doce Maior!

Postado por Pássaro em 05:47 PM | Comentários (2)

janeiro 21, 2007

Coração Ateu

Esta adorável senhora criou uma das "obras-primas" musicais da MPB, que Maria Bethânia ajudou a celebrizar:

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Meu coração ateu
Quase acreditou
Na tua mão
que não passou de um leve adeus
Breve pássaro
pousado em minha mão
Bateu asas e voou

Meu coração
por certo tempo passeou
Na madrugada,
procurando num jardim
Flor amarela,
flor de uma grande espera
Logo o meu coração ateu

Se falo em mim e não em ti
É que neste momento
Já me despedi
Meu coração ateu
não chora e nem lembra
Parte e vai-se embora...

Sueli está preparando um novo trabalho, espero poder dar em breve novidades nessa matéria, já que ela é uma amiga do Pássaro Distante.
Um abraço Sueli!

Postado por Pássaro em 11:26 AM | Comentários (0)

janeiro 13, 2007

Fado da mágoa

Fado da mágoa (Pássaro Distante)
(05.12.2006)

Um jurista atordoado
Quando ao passado voltou,
Encontrou, de braço atado,
Uma colega que amou.

E, em esforço, defraudado,
Que a contenção obrigou,
Jurista, desesperado,
Não pôde falar: chorou.

Vindo, sem capa e batina,
Do lado esquerdo do peito,
Aquele grito em surdina,
Traído num olhar desfeito.

No reencontro esperado,
Dentro das regras da lei:
Semblante emocionado,
Aos olhos do Cristo Rei.

Entre as mágoas da distância,
Das palavras por dizer:
Um jurista, sua ânsia
E modo de perecer!

Na sombra interior,
Sentado, em vão de escada,
Conteve seu mal de amor
Numa fria madrugada.

061203_015528.jpg

Ouviu o Mário Laginha,
No Hot Club português,
Numa prece que continha
As lembranças e porquês.

E quando tinha maneira
De exprimir o que pensou
Foi “chamado” à Madeira:
Não pôde falar: chorou!

Não pôde falar: chorou…
Não pôde falar: chorou!

Postado por Pássaro em 08:22 PM | Comentários (0)

janeiro 03, 2007

Fado do Ruca, fadista de voz primeira

Fado do Ruca, fadista de voz primeira!

(02.12.2006, madrugada, 01h40, no restaurante lisboeta "As Damas")

Cheguei, de forma abrupta,
Duma Ilha, a da Madeira,
Para ouvir cantar o Ruca,
Fadista de voz primeira!

Viva voz, do sol poente,
Carregando um passado,
Que, no momento presente,
É a herança do Fado.

Estive aqui, no mês de Março,
Afagado de amizade.
Entre choro e embaraço,
Ruca foi digno estandarte.

Na sala de belas "Damas",
Em jus deste Restaurante,
Ruca, fadista, proclamas
Tão perto: amor distante.

Amanhã irei embora,
De volta à minha Ilha.
Deixo linhas nesta hora
E saudades como filha.

Amigo Ruca: pensei
Prolongar este momento.
É certo: regressarei
Com o mesmo sentimento!

Postado por Pássaro em 06:25 PM | Comentários (2)