A exemplo de minha amiga Mariza Lourenço, também uma minha amiga brasileira, de nome artístico Ana Fecunda, correspondeu ao convite que tenho feito aos meus amigos para que me enviem seus escritos para postá-los aqui, nos Sete Ofícios.
Deixo-vos este poema com votos de um excelente fim-de-semana.
MAR DO CIO
Mar do Encontro
Encanto de Mar
Ao brincar com as palavras
Vivo a me inspirar
Inspiro e respiro
Num momento inconstante
Busco-te e retiro
Meu corpo sibilante
Meu Márcio
Que estremece o Céu
Leva-me
Para o mar, o mar do Cio e do Mel?
Me ama, desama
Perde-me e concebe-me
Recebe minh'alma
Como um velho casebre
Reforma-me com leveza
Dá forma à minha beleza
Mesmo que eu sinta a dor
A dor, do seu estranho Amor!
Ana Fecunda
Na voz de Marisa Monte (no CD “Universo ao Meu Redor”),

este “Vai Saber?” de Adriana Calcanhotto (2005):

Não vá pensando que determinou
Sobre o que só o amor pode saber
Só porque disse que não me quer
Não quer dizer que não vá querer
Pois tudo o que se sabe do amor
É que ele gosta muito de mudar
E pode aparecer onde ninguém ousaria supor.
Só porque disse que de mim não pode gostar…
Não quer dizer que não tenha do que duvidar…
Pensando bem, pode mesmo
Chegar… a se arrepender
E pode ser então que seja tarde demais…
Vai saber?
Não vá pensando que determinou
Sobre o que só o amor pode saber
Só porque disse que não me quer
Não quer dizer que não vá querer
Pois tudo o que se sabe do amor
É que ele gosta muito de se dar
E pode aparecer onde ninguém ousaria se pôr.
Só porque disse que de mim não pode gostar…
Não quer dizer que não tenha o que considerar…
Pensando bem, pode mesmo
Chegar… a se arrepender
E pode ser então que seja tarde demais…
Vai saber?
Vai saber?
Vai saber?
Não vá pensando que determinou
Sobre o que só o amor pode saber
Só porque disse que não me quer
Não quer dizer que não vá querer
Pois tudo o que se sabe do amor
É que ele gosta muito de jogar
E pode aparecer onde ninguém ousaria supor.
Só porque disse que de mim não pode gostar…
Não quer dizer que não venha a reconsiderar
Pensando bem, pode mesmo
Chegar… a se arrepender
E pode ser então que seja tarde demais…

foto retirada de www.escritorassuicidas.com.br
Do meu querer sentir
— em preces —
Com o meu corpo curvado em prece
sobre claves de um altar desconhecido,
peço à Santa, Virgem dos Meus Mistérios,
que — com os meus olhos de amante —
me mostre os caminhos dos meus pecados.
E se com eles teus acordes tocam músicas,
que me revele a Virgem, Mãe dos Meus Segredos,
se é tua aquela boca que me sussurra feito um cravo rouco,
se são tuas aquelas mãos que me fazem orar
junto a um coral de anjos.
Possa eu em minha reza fazer um pedido:
ver dedilhadas em meu umbigo
as cordas de paco,
bandoneons tocando tangos.
Peço também, a Deus,
que em meus seios tua língua ande
profana, quase santa.
Que entre minhas coxas encontre o início
de um desejo entoado em glória.
E, se depois me ainda for possível
ser pastora de milagres,
— como Valquíria —
em minha entranha o cavalgar do falo,
toda a ânsia de ver nascer o fruto.
Nada mais rogo
do que contigo acabar-me em gozo
na explosão dos movimentos
de uma nona sinfonia.
E, por tudo,
agradecida e contrita,
amo.
Amém.
mariza lourenço
Conheça mais de Mariza Lourenço clicando aqui: Proseando com a sublime Mariza Lourenço
Obrigado, minha amiga, por abrilhantar os Sete Ofícios!
Este poema, inspirado num imaginário encontro entre Pássaro Distante e sua musa Doce Maior, é dedicado à minha carinhosa amiga e cantora Claudia Telles, divina intérprete brasileira que, ao fazer recentemente um tributo ao imortal maestro Antônio Carlos Jobim (seu último trabalho discográfico), confirmou todo o seu bom gosto.
E é também uma prenda (atrasada) pelo seu aniversário.
Doce “Amor de mis amores” (Pássaro Distante)
Tu disseste que houve um dia em que me amaste
E me deste o teu beijo especial:
O que nestes anos todos depuraste
E trouxeste do Brasil para Portugal.
Dessa mala de sonhos e romarias
Derramaste o teu mais profundo amor
E fizeste tudo aquilo que querias
Mas deixaste, em mim, o negro desta dor.
“Amor de mis amores”, que te digo?
A saudade é um espigo
Encravado, um castigo
Nesta foz.
E, por outro lado, o teu jeito escondia
(Tanto) sofrimento, que o vento
Abafou.
(E) quantos dissabores existiam,
Que caminhos impediam,
Que barreiras surgiriam
Entre nós?
Mas eu agora sei que um destino confundia
E tão bem castiga, em vil momento,
Quem amou!
Enquanto se preparava a bagagem:
Os momentos confundiam entre si,
As lembranças amparavam, nesta margem,
O tormento de saber que te perdi.
E agora que saíste deste quarto
O teu cheiro se prolonga pelo ar,
Vou ficar até senti-lo, depois parto:
Chorarei a tua ausência junto ao mar.
“Amor de mis amores”, que te digo?
A saudade é um espigo
Encravado, um castigo
Nesta foz.
E, por outro lado, o teu jeito escondia
(Tanto) sofrimento, que o vento
Abafou.
(E) quantos dissabores existiam,
Que caminhos impediam,
Que barreiras surgiriam
Entre nós?
Mas eu agora sei que um destino confundia
E tão bem castiga, em vil momento,
Quem amou!
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Métrica que respeita o som da viola de Oscar Sher, em “The Classical Spanish Guitar of”, e que é uma versão luso-brasileira da conhecidíssima:
Amor de mis amores (Sonora de Margarita)
No te assombres si te digo lo que fuiste
Un ingrato com mi pobre corazon
Porque el fuego de tus lindos ojos negros
Alumbraron el camino de otro amor
Y pensar que te adoraba tiernamente
Que a tu lado como nunca me senti
Y por esas cosas raras de la vida
Sin el beso de tu boca yo me vi.
Amor de mis amores, amor mio
Que me hiciste que no puedo soportarme
Sin poderte contemplar
Ya que pa’ la semana mi cariño tan sincero
No te conseguiras que no te nombre nunca mas
Amor de mis amores si dejaste de quererme
No hay cuidado que la gente de esto no se enterara
Que gano com decir que un hombre cambio mi suerte
Se burlaran de mi que nadie sepa mi sufrir.
Quem estiver interessado em receber o ficheiro com a música executada por Óscar Sher é só escrever para este endereço de e-mail:
passarodistante@gmail.com