
“... Jamais perguntaria quando regressas,
pois isso seria sinal de ter havido um dia
em que te despediste de mim...”
(Pássaro Distante)
Homenagem a uma paixão (musical) de adolescência, a uma cantora tão luso-brasileira como a minha alma de Pássaro Distante:

I
Seu nome Eugénia,
a quem faço vénia
e dou uma flor.
Era adolescente,
mas muito ciente
desse seu valor.
II
A sua ternura,
A sua doçura
Marcavam demais.
No espelho dos olhos:
Lágrimas aos molhos
Por tons imortais.
III
Os anos passaram
mas não ofuscaram
tão terno amor.
Saudades ficaram
dos sons qu' assombraram
o meu gravador.
IV
Onde estás? Agora
Que chega a hora
do vento a clamar...
Está frio lá fora.
Vôo sem demora,
Sozinho, a chorar.

MAR DO OUTRO LADO
Se eu pudesse retirar esta saudade
Dos confins do meu olhar emudecida
E te a desse, embrulhada na vontade,
Para sentires como anda a minha vida...
Se eu pudesse dominar o meu lamento
Sem as notas deste acorde angustiado
Que esvoaça abafado pelo vento
E não sopra junto de quem está calado.
Se eu pudesse mostrar-te este olhar ausente
E o perfume dum tal corpo arrastado
Para o cais que não recebe sorridente
O silêncio de quem seja abandonado.
Se eu pudesse viver anestesiado
Pelo tempo que durasse a tua ausência
Ou presença nesse «mar do outro lado»
Que se agita ao pé de ti com veemência.
Se pudesse... mas não posso interferir
Com a corrente, prepotente, do destino
Que te prende na vontade de partir
E afoga o teu sonho de menino.
Fotografia: Eliezer Sanchez
Poema: Pássaro Distante
Não deixe de conferir os belos trabalhos deste artista da imagem:
http://www.flickr.com/photos/eliezersanchez/sets/72057594102121816
Um abraço para Eliezer e para todos os meus amigos,
do Pássaro Distante