março 31, 2005

Morreu o poeta madeirense (e meu amigo) José António Gonçalves

No Diário de Notícias da Madeira, na sua edição on-line, é possível ler alguns testemunhos sobre quem foi esta pessoa, que me honrou com a sua amizade.

Jose Antonio Goncalves.bmp

Neste endereço (de onde foi retirada, com a devida vénia, a foto) poderá conhecer melhor este poeta e a sua obra: http://members.netmadeira.com

Não tenho palavras, neste momento, para expressar a angústia pela perda deste amigo.

De Catanho Fernandes, amigo comum e distinto jornalista, podem ler-se estas palavras.

Até breve Zé António, um grande abraço. Além dos teus amigos, a poesia madeirense está de luto.

R.I.P.

P.S. - Devia ser-nos concedida a graça de sabermos a véspera do dia da morte dos nossos amigos (e, por consequência, da nossa), para que pudéssemos, ao menos, dar-lhes o último abraço.

Postado por Pássaro em 06:53 AM | Comentários (6)

março 14, 2005

Na sombra dos olhos… (Pássaro Distante)

Cobrem os olhos desejos magoados
Por contos guardados em lábios judeus.
Fitam os olhos tormentos passados
Ímpetos negados pelos olhos teus.

Calas nos olhos sonhos adiados,
Abraços vedados, escombros de dor.
Gestos perdidos, enredos frustrados,
Lamentos tapados no teu cobertor.

Guardas nos olhos sons embaciados
De tempos passados em cores de amor:
Loucos gemidos, prazeres trocados,
Corpos saciados em leitos de flor.

Caem dos olhos queixumes salgados,
Desorientados por olhos ateus.
Gestos feridos e contrariados
Nos versos em branco das sombras de Deus.

Postado por Pássaro em 07:36 AM | Comentários (23)

março 11, 2005

A Morta (de Júlia Janette)

Os beijos gelaram nos lábios selados,
As palavras estão mudas e a voz secou.
Para sempre estão mortos os sonhos sonhados
E os gestos perderam-se quando o sangue gelou.

O corpo de mármore fechou-se aos pecados
Que a vida cumpriu e o tempo levou.
Não mais serão rios os olhos parados
Que viram a luz e que a morte cegou.

Nada agora aquecerá o corpo arrefecido.
Morre a morta com a morta e tudo permanece;
Nasce-se para morrer e é esse o sentido.

Para que serve lutar pelo que a vida oferece
Se antes de conseguir está já tudo perdido?
Para que serve amar o que tão cedo se esquece?

Clique aqui para conhecer mais poemas desta autora

P.S. - Dedicado à memória das vítimas do atentado terrorista de 11 de Março de 2004, em Madrid e dos que ficaram para trás, a velar pelos seus entre lágrimas e saudade...

Postado por Pássaro em 09:32 AM | Comentários (4)