Alaguei-te com o meu amor guloso
Por carícias subtilmente disfarçadas
No teu ser que, em jeitinho habilidoso,
Ordenou-as pelas danças encantadas.
O meu peito, retornado cativeiro,
Foi um palco improvisado e reluzente
Acolhendo e misturando o teu cheiro
Com o sal, som e suor da minha mente.
As cortinas de um teatro à deriva,
Rasgadas por febril coreografia,
Abraçaram cada dança tão festiva,
De fazer corar herege liturgia.
E as luzes? Meus senhores: e as luzes?!
Arredadas dos efeitos especiais,
Escondidas tal e qual as avestruzes
Enterrando cabeças nos areais.
As poltronas preenchidas de vazio,
Escravizadas com a sua fixação,
Animaram desenredo luzidio
E ganharam a total libertação.
“Somos livres, somos livres!” – agitaram
A bandeira da mordaz independência.
E em tom desordenado debandaram
Pelo átrio destinado à assistência.
Os ciúmes enchiam os camarotes,
Da vontade de partir agrilhoados.
E nem mesmo com ajuda de escadotes
Conseguiam difundir os seus recados.
“É um caos: o teatro sem cadeiras!”
Exclamou um camarote incomodado,
Confrontado com o grito das madeiras
Que à fuga deu o ritmo apressado.
Face a tal agitação inusitada
Esqueceram-se das chaves dos portões.
Esta dança estava, agora, isolada,
Sem limites para as nossas ilusões.
Os protestos vieram dos bastidores
Arredados de sublime orquestração
Perpetrada ao som destes dois tambores
Ou batidas saídas do coração.
Meu pulsar, que jurara inquietante,
Adoptou a tua linha controlada.
Sem a ajuda de qualquer tranquilizante
Integrou-se nessa original balada.
De repente, como que a surgir do nada,
Uma luz acompanhou o teu andar.
Uma estrela, quiçá descontrolada,
Exigiu-nos o teu corpo a encenar.
Tua dança cristalina e envolvente,
Indelével, na retina e na memória,
Transformara totalmente o meu presente
Colorindo o cinzento desta história.
Os teus gestos encobriam horizonte
Carregado de esperança e de paixão
Sucumbindo aos teus olhos, minha fonte,
Motivados numa nova direcção.
Cativada com brilhante desempenho
E deixando, como tal, de ser teimosa
Essa estrela regressou ao seu rebanho,
Retirando-se, assim, de forma airosa.
Nas paredes do teatro do meu peito,
Quais destroços duma guerra memorável
Procurámos por algum corredor estreito
Que escondesse este prazer incomparável.
Na excelência do encanto do teu ser,
Que com este se havia harmonizado,
Partilhámos tão fugaz amanhecer
Com as ondas dum mar azul agitado.
Quão diferente nossa vida se tornara:
Da penumbra enraivecida da caverna
E seu trauma que no rosto se cravara,
Indigno de civilização moderna.
Navegámos no fulgor da maresia,
Enrolados num único cachecol
Esvoaçante, ansioso pelo dia,
Alertando-nos para o nascer do sol.
E que cheiro de um café tão gostoso,
Nessa noite que não queria acabar,
Temperando o teu olhar carinhoso:
A doçura do teu ser a se espelhar.
No silêncio do meu peito navegaste
Escondendo no semblante a emoção
E nos remos dos meus braços colocaste
As marcas de absoluta excitação.
Quando os corpos atingiram exaustão
E as almas partilhavam o… depois…
Nossos olhos, numa mesma direcção,
Prolongavam esse “amor de nós dois”.
Nossa música era, agora, a voz do vento
Espalhada, qual adágio, pela bruma
Comungada já sem qualquer contratempo,
Tal e qual um nevoeiro que se esfuma.
Tu sabias que o silêncio era a arma
Protegendo este amor tão poderoso
Que perante intempéries não se alarma
E tudo suplanta de modo formoso.
Doce amor que se projecta diferente
E sacode os mais seguros rituais
Com pitadas de humor, indiferente
Às censuras e desmandos de mortais.
Amor doce e sensual que me deslumbra
E consegue o melhor que há em mim
Escondido que estava, numa penumbra
Perceptível só aos sons dum bandolim.
Doce amor que exonera a alergia
Das funções de bastião desta tristeza
E nomeia, sem pudor, a alegria:
Assessora do calor à tua mesa.
Amor doce que adocica o meu destino
E doseia o seu sabor o quanto baste
Prevenindo, assim, enjoo de menino
Que o coloque, sem saber, a meia haste…
Mas naquelas horas em que a fome bate
E é preciso dar descanso ao prazer,
Os teus olhos dizem: “Quero chocolate!
Eu só quero chocolate para comer…”

autoria da fotografia desconhecida
Gisele Bundchen
Ou não fosse este meu amor guloso…
Tão lindinha, mesmo, mesmo, deslumbrante
E com um jeito de ser, que é tão gostoso,
Excitando qualquer Pássaro Distante…
No reverso de «Manhã de Carnaval» esta:
Manhã de Adeus
(Luiz Bonfá & Pássaro Distante)
Não quero acordar de manhã
Sem ver a luz dum coração
Escondido nos folhos,
Despido pelo chão:
Nu, na melancolia,
Pois não estás…
Não vou derramar em questão
A dor deste ser que te amou...
Ficámos sós
Com os desejos
Feridos
Pelo adeus.
Choro neste refrão…
Porque tudo acabou…
Infeliz, a manhã desta dor.

Desconheço a autoria da foto.
(Luiz Bonfá & Antônio Maria)
Manhã, tão bonita manhã
Na vida uma nova canção
Cantando só teus olhos,
Teu riso, tuas mãos
Pois há-de haver um dia
Em que virás.
Das cordas do meu violão
Que só teu amor procurou
Vem uma voz
Falar dos beijos
Perdidos
Nos lábios teus.
Canta o meu coração
Alegria voltou
Tão feliz a manhã deste amor.
P.S. - Enquanto não chega aos Sete Ofícios os versos avessos deste delicioso "Manhã de Carnaval", recomendo a interpretação musical de Paco de Lucia, acompanhado de Al Di Meola e John Mc Laughlin, no CD cujo título é "The Guitar Trio"

Paco de Lucia

Da casa de tecto azul
Com paredes de basalto
E frestas feitas janelas
Eu te vislumbro, ao sul,
Perdida entre o asfalto
Das ondas: sonatas belas.
Na esquina desta varanda
Aguardo pelo compasso
Da vida em noite escura.
Em ritmo, que não abranda,
Reténs-me no teu abraço,
Soprando ao longe a doçura.
No canto da gentileza
À luz da tua sonata
A lua mostra-se linda:
Espelha a tua beleza,
Teu jeito de diplomata
E simpatia infinda.
Na estrada de pés salgados
Agitam-se os corações
Em busca de sentimentos
Que limpem olhos molhados
E muitas desilusões
Banhadas pelos lamentos.
Despida no cruzamento
A alma, tão libertina,
Exala sublime ópio.
Convidada pelo vento
Inunda qualquer retina…
E janta comigo em Tóquio.

Ouvimos um minuete
Dançando naquele pátio
Banhado à luz de vela.
Lambias o meu sorvete…
Corada até ao átrio
De sons desta aguarela.
No tempo da despedida,
Ou fracção angustiada,
A minha alma é expulsa.
Como se qualquer ferida
Aberta na hora errada
Criasse tosse convulsa.
Na sombra do desespero
Criado por um destino
Teimoso e racional:
Cirúrgico, com esmero,
Derruba este menino
E tudo o que lhe é vital.
Cansado da tanta luta,
Perdida logo à nascença,
Urdindo pela calada,
Os deuses, estando à escuta,
Lançaram ignóbil crença:
“O amor é causa errada!”
“... Jamais perguntaria quando regressas, pois isso seria sinal de ter havido um dia em que te despediste de mim...” (Pássaro Distante)

Observado da "janela" da Casa da Maresia
(Re) Canto I
Quotidiano
Libertei-me de todos os compromissos
Que nos fazem sentir aves tão banais,
E preenchem nossas faces sem sorrisos
Condenando os desejos especiais.
Transmiti-te meus créditos amorosos
Que guardava na gaveta do meu peito,
Mesmo aqueles, outrora tão saborosos,
Mas desenquadrados de qualquer conceito.
Tudo o que de bom tivesse era vazio,
(Pouco havia que pudesse cativar)
Como se um permanente calafrio
Me deixasse sem sorrir e sem sonhar.
Vida fora, vida dura, vida gasta,
Sem sentido, aos olhos da sã loucura.
Cada gesto tinha o peso da vergasta:
Chibatadas de sociedade impura.
Isolei-me das vergastas confundindo
Os meus sonhos com rombos de lucidez
E em cada dor de alma fui sorrindo,
Aguardando por começar outra vez.
Quando o nada dominava o empírico
Veio a luz no fim do fundo da caverna.
Vi o mar derrotado pelo teu espírito,
Tua forma de combate muito terna.
A mão esquerda enlaçada na direita:
Juntam forças numa mesma direcção.
Nessa estrada, ora larga ora estreita,
Não há nada perturbando a comunhão.
A distância fez a cama da grandeza,
A tristeza molhou o vale dos lençóis.
Mas na rua em que vi tua natureza
Brilham estrelas aquecidas por dois sóis.
No meu corpo não havia já ferida
Que teimasse por não estar tão bem sarada,
Impedindo Santana de Parnaíba
De tornar-se na penúltima morada.
(Re) Canto II
Viagem
Fui contigo, de cabelo desvairado,
Ondulado, tal e qual os meus humores.
O semblante muito menos carregado
E na mala tuas predilectas flores.
O teu corpo, antes distante paisagem
Brilhando em longínqua avenida,
Transportou, numa titânica coragem,
Um oásis eleito para mar de vida.
Voei livre, em redor do teu jardim.
Meu gorjeio respirava a poesia,
O teu bálsamo era uma flor de jasmim
Encharcando minhas penas de alegria.
E sem qualquer mordaça ou algum peso,
Condição “sine qua non” para ser feliz,
Mergulhámos no sonhado mundo ileso
E criámos nossa imortal raiz...
Ser feliz… e nada mais era preciso…
Nossas “guerras” tinham outro paladar:
Preenchidas no amor e no sorriso,
Nas doçuras e carinhos sem cessar.
Ser feliz… e nada mais faz diferença…
O presente com a distância na lembrança:
Quando o sonho reflectia uma crença
E a tristeza camuflava a esperança.
Ser feliz… é tudo o que podemos ser
Se olharmos para o que é essencial…
É que basta duma vida a sofrer
E um dia atrás do outro, sempre igual.
(Re) Canto III
Lembrança…
A saudade de ser muito bem tratado
E amado por uma doce rainha
De olhar meigo e muito apaixonado:
Nessa noite senti mesmo que eras minha!
Numa mesa que saudou a nossa dança,
Cujas velas eram torres de marfim,
Abracei-te, ofertando minha herança:
Meu piano, meu amor, meu bandolim.
Nossos olhos confirmavam as faíscas
Lançadas pelos espíritos, à vez,
E por palavras, mais ou menos ariscas,
Transmitidas no melhor do português.
Dei um beijo apaixonado nos teus lábios
Tão suave que exaltou a excitação,
Oscilando a própria árvore dos sábios
Cujo tronco é coberto de razão.
Os teus gestos demorados e carentes
Colocaram do avesso o coração.
Nossos dedos, sempre muito persistentes,
Eram cúmplices de infinita sensação.
Noite… sem saber dar-se por finda,
Aclamando parceiros de almofada
Sussurrando, pela brisa: “Como és linda!
De fazer inveja à própria madrugada”.
Da janela da tua casa de praia
As estrelas brilham tão intensamente,
S’ iluminam quando subo a tua saia…
E te sinto muito húmida e quente.
Nossos corpos, absorvidos no prazer
E teimosos por cada repetição,
Destemidos na vontade de viver,
De que as almas prestam subtil devoção.
A alvorada espreitou no canto do olho,
Quando os membros já se davam por vencidos
E os sonhos prolongavam ao sobrolho
Os momentos tão intensos já vividos.
Acordei-te com o cheiro do café
Espalhado nessa tua “Maresias”,
Saboroso, mesmo, mesmo, que até
Exclamaste que mais nada pretendias.
Muitos dias neste amor contagiante
Partilhando caminhadas pela bruma.
Um sorriso permanente no semblante…
Quem é que de ser feliz não se acostuma?
No regresso para o País mais a leste
Descansámos, por minutos, no jardim.
Tu disseste-me: «afinal, sempre “Vieste”
E guardaste todo o teu amor para mim.»
(Re) Canto IV
Despedida…
Já sentados no conversível vermelho,
Estacionados na gare do aeroporto,
Este corpo, inesperadamente velho,
Não queria abandonar o teu conforto.
Despedimo-nos com demorado abraço
E os rostos estampados de desgosto.
É que a vida não modifica o traço
Do destino, nem mesmo com fogo posto.
Mesmo assim ofereci-te uma viagem
Para a terra do meu sul, do sol e sal
Esperando por assomo de coragem
Que ilumine a minha Ilha e Portugal.
Já nas escadas conduzindo à aeronave,
Qual soldado que não olha para trás
Quando chega perto de hostil entrave,
Pressentia-te a dizer: “Amor… não vás!”
Foi então que olhei para trás mas não te vi…
Era tempo de te encontrar no futuro…
Eu que, um dia, muito amei tal qual sofri,
Saberia procurar-te pelo escuro…
(Re) Canto V
Ponte para o presente
Nos círculos que dançaste no meu peito,
Cujos rastros sinto, aqui, tão bem cravados,
Frutificam as raízes do teu leito
Destes entes nunca antes bem amados.
Eu que andava já tão cheio de vazio
E via no horizonte uma barreira
Já não sinto esse limite, nem o frio
Que acompanha estas “Noites da Madeira”.
Estou sozinho, mas tão bem acompanhado
Pela linha que me liga ao coração
Do teu verso tão gentil e delicado:
Poesia que guiou a minha mão.
(Re) Canto VI
Homenagem
Nas noites em que a tristeza desampara
Teu peito, chorando o que o olhar não vê,
Tens no lenço que aconchega a tua cara
A certeza de ser “louco por você”!
Neste canto de justiça ao teu encanto,
Porque não sei descrever doutra maneira,
Largo as lágrimas escondidas no meu pranto
Espalhando-as pela tarde soalheira:
Entre a brisa que absorve o nosso cais
Misturei-as no meio da maresia
E agora têm nomes imortais:
Todas juntas são saudade e poesia!
(Re) Canto VI
Homenagem
Nas noites em que a tristeza desampara
Teu peito, chorando o que o olhar não vê,
Tens no lenço que aconchega a tua cara
A certeza de ser “louco por você”!
Neste canto de justiça ao teu encanto,
Porque não sei descrever doutra maneira,
Largo as lágrimas escondidas no meu pranto
Espalhando-as pela tarde soalheira:
Entre a brisa que absorve o nosso cais
Misturei-as no meio da maresia
E agora têm nomes imortais:
Todas juntas são saudade e poesia!
(Re) Canto V
Ponte para o presente
Nos círculos que dançaste no meu peito,
Cujos rastros sinto, aqui, tão bem cravados,
Frutificam as raízes do teu leito
Destes entes nunca antes bem amados.
Eu que andava já tão cheio de vazio
E via no horizonte uma barreira
Já não sinto esse limite, nem o frio
Que acompanha estas “Noites da Madeira”.
Estou sozinho, mas tão bem acompanhado
Pela linha que me liga ao coração
Do teu verso tão gentil e delicado:
Poesia que guiou a minha mão.
(continua)
(continuação)
(Re) Canto IV
Despedida…
Já sentados no conversível vermelho,
Estacionados na gare do aeroporto,
Este corpo, inesperadamente velho,
Não queria abandonar o teu conforto.
Despedimo-nos com demorado abraço
E os rostos estampados de desgosto.
É que a vida não modifica o traço
Do destino, nem mesmo com fogo posto.
Mesmo assim ofereci-te uma viagem
Para a terra do meu sul, do sol e sal
Esperando por assomo de coragem
Que ilumine a minha Ilha e Portugal.
Já nas escadas conduzindo à aeronave,
Qual soldado que não olha para trás
Quando chega perto de hostil entrave,
Pressentia-te a dizer: “Amor… não vás!”
Foi então que olhei para trás mas não te vi…
Era tempo de te encontrar no futuro…
Eu, que, um dia, muito amei tal qual sofri,
Saberia procurar-te pelo escuro…
(continua)
(continuação)
(Re) Canto III
Lembrança…
A saudade de ser muito bem tratado
E amado por uma doce rainha
De olhar meigo e muito apaixonado:
Nessa noite senti mesmo que eras minha!
Numa mesa que saudou a nossa dança,
Cujas velas eram torres de marfim,
Abracei-te, ofertando minha herança:
Meu piano, meu amor, meu bandolim.
Nossos olhos confirmavam as faíscas
Lançadas pelos espíritos, à vez,
E por palavras, mais ou menos ariscas,
Transmitidas no melhor do português.
Dei um beijo apaixonado nos teus lábios
Tão suave que exaltou a excitação,
Abanando a própria árvore dos sábios
Cujo tronco é coberto de razão.
Os teus gestos demorados e carentes
Colocaram do avesso o coração.
Nossos dedos, sempre muito persistentes,
Eram cúmplices de infinita sensação.
Noite… sem saber dar-se por finda,
Aclamando parceiros de almofada
Sussurrando, pela brisa: “Como és linda!
De fazer inveja à própria madrugada”.
Da janela da tua casa de praia
As estrelas brilham tão intensamente,
S’ iluminam quando subo a tua saia…
E te sinto muito húmida e quente.
Nossos corpos, absorvidos no prazer
E teimosos por cada repetição,
Destemidos na vontade de viver,
De que as almas prestam subtil devoção.
A alvorada espreitou no canto do olho,
Quando os membros já se davam por vencidos
E os sonhos prolongavam ao sobrolho
Os momentos tão intensos já vividos.
Acordei-te com o cheiro do café
Espalhado nessa tua “Maresias”,
Saboroso, mesmo, mesmo, que até
Exclamaste que mais nada pretendias.
Muitos dias neste amor contagiante
Partilhando caminhadas pela bruma.
Um sorriso permanente no semblante…
Quem é que de ser feliz não se acostuma?
No regresso para o País mais a leste
Descansámos, por minutos, no jardim.
Tu disseste-me: «afinal, sempre “Vieste”
E guardaste todo o teu amor para mim.»
(continua)
O tsunami, que tanta devastação e tristeza causou, chegou aos Sete Ofícios.
Recebi por e-mail esta fotografia, de um menino com cerca de dois anos de idade que está perdido dos pais e familiares.
Divulguem, por favor, pelos vossos contactos nacionais e internacionais. É uma «gota de água» que pode fazer a diferença. O endereço electrónico é o seguinte: info@phuket-inter-hospital.co.th

Looking for his family.
«The boy about 2 years, from Khoa Lak is missing his parents.
Nobody knows what country he comes from. If anyboy known him please contact us by phone 076-249400-4 ext. 1336, 1339 or e-mail:
info@phuket-inter-hospital.co.th»
(Re) Canto II
Viagem
Fui contigo, de cabelo desvairado,
Ondulado, tal e qual os meus humores.
O semblante muito menos carregado
E na mala tuas predilectas flores.
O teu corpo, antes distante paisagem
Brilhando em longínqua avenida,
Transportou, numa titânica coragem,
Um oásis eleito para mar de vida.
Voei livre, em redor do teu jardim.
Meu gorjeio respirava a poesia,
O teu bálsamo era uma flor de jasmim
Encharcando minhas penas de alegria.
E sem qualquer mordaça ou algum peso,
Condição “sine qua non” para ser feliz,
Mergulhámos no sonhado mundo ileso
E criámos nossa imortal raiz...
Ser feliz… e nada mais era preciso…
Nossas “guerras” tinham outro paladar:
Preenchidas no amor e no sorriso,
Nas doçuras e carinhos sem cessar.
Ser feliz… e nada mais faz diferença…
O presente com a distância na lembrança:
Quando o sonho reflectia uma crença
E a tristeza camuflava a esperança.
Ser feliz… é tudo o que podemos ser
Se olharmos para o que é essencial…
É que basta duma vida a sofrer
E um dia atrás do outro, sempre igual.
(continua)
(Re) Canto I
Quotidiano
Libertei-me de todos os compromissos
Que nos fazem sentir aves tão banais,
E preenchem nossas faces sem sorrisos
Condenando os desejos especiais.
Transmiti-te meus créditos amorosos
Que guardava na gaveta do meu peito,
Mesmo aqueles, outrora tão saborosos,
Mas desenquadrados de qualquer conceito.
Tudo o que de bom tivesse era vazio,
(Pouco havia que pudesse cativar)
Como se um permanente calafrio
Me deixasse sem sorrir e sem sonhar.
Vida fora, vida dura, vida gasta,
Sem sentido, aos olhos da sã loucura.
Cada gesto tinha o peso da vergasta:
Chibatadas de sociedade impura.
Isolei-me das vergastas confundindo
Os meus sonhos com rombos de lucidez
E em cada dor de alma fui sorrindo,
Aguardando por começar outra vez.
Quando o nada dominava o empírico
Veio a luz no fim do fundo da caverna.
Vi o mar derrotado pelo teu espírito,
Tua forma de combate muito terna.
A mão esquerda enlaçada na direita:
Juntam forças numa mesma direcção.
Nessa estrada, ora larga ora estreita,
Não há nada perturbando a comunhão.
A distância fez a cama da grandeza,
A tristeza molhou o vale dos lençóis.
Mas na rua em que vi tua natureza
Brilham estrelas aquecidas por dois sóis.
No meu corpo não havia já ferida
Que teimasse por não estar tão bem sarada,
Impedindo Santana de Parnaíba
De tornar-se na penúltima morada.
(continua)
Eu amei
E amei ai de mim muito mais do que devia amar.
E chorei
Ao sentir que iria sofrer e me desesperar.
Foi então
Que da minha infinita tristeza aconteceu você.
Encontrei
Em você a razão de viver e de amar em paz
E não sofrer mais,
Nunca mais.
Porque o amor é a coisa mais triste
Quando se desfaz.
Porque o amor é a coisa mais triste
Quando se desfaz.