dezembro 27, 2004

Correnteza Azul de Ansiedade (Pássaro Distante)

Feita hoje, ao ritmo do «Mar do Outro Lado», esta:

Correnteza Azul de Ansiedade

Se eu pudesse oscilar entre o passado
E aquilo que dizem ser amanhã
Voaria sempre, sempre, a teu lado
E pousava em sofá, berço ou divã.

Se eu pudesse disfarçar-me de sereno
E dar paz à tua alma agitada,
De semblante carregado e pequeno,
Pela vida muito bem amordaçada.

Se eu pudesse polvilhar-te de harmonia
E sentisse essa «voz serenizada»
Que Vinícius cantou na sua poesia:
Minha vida tinha sido bafejada.

Se eu pudesse respirar na tua voz
E do timbre pressentisse o teu semblante
Saberia encontrar, no meio de nós,
O amor que nos uniu em mar distante.

Se eu pudesse aconchegar-te de conforto
Cada dia que regressas da avenida
Viverias nestes braços, o teu porto,
A loucura de poder dar-te guarida.

Se eu pudesse acompanhar o teu destino
Pelas brumas castigadas de mau tempo
Acharia, nesse pranto, de mansinho,
O sorriso que combate o meu lamento.

Se eu pudesse adornar a tua imagem
Preenchida com tamanha adoração
Saberia convencer qualquer aragem
A soprar-te com carinho e devoção.

Se eu pudesse liquidar o apetite
Assombroso, como as marcas da distância,
Escondido em placas de esferovite
Colocadas entre o peito e esta ânsia…

Se eu pudesse transmitir tudo o que sinto
E agita estas penas inquietas
Temperadas em copos de vinho tinto
E em nuvens mesmo, mesmo, muito incertas…

Se eu pudesse iludir o próprio engano
Que se mostra habilmente escancarado
Pelas regras de servil quotidiano
Derrubando transeunte interessado

E, com isso, se eu pudesse prosseguir
Pela correnteza azul do teu carinho
Saberia facilmente distinguir
Dos amores que desviam do caminho.

Se eu pudesse invocar bênção divina
Que coubesse no calor da tua estrada
Poderia ver teus olhos de menina
Possuindo-me de forma emocionada.

Postado por Pássaro em 07:00 PM | Comentários (11)

dezembro 22, 2004

Mar do Outro Lado (ilustrado e musicado)

Clique sobre o título e veja (mais uma) uma prenda que recebi de Embaixatriz do Brasil.

Postado por Pássaro em 08:06 AM | Comentários (7)

dezembro 20, 2004

Nada mais... (excerto)


Ser feliz… e nada mais faz diferença…
O presente com a distância na lembrança:
Quando o sonho reflectia uma crença
E a tristeza camuflava a esperança.

Postado por Pássaro em 04:35 PM | Comentários (4)

Gaivota

Música: Alain Oulman
Letra: Alexandre O'Neill
Voz: Amália Rodrigues

Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.

Que perfeito coração
no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.

Relembrando o encontro de Vinícius de Moraes com Amália Rodrigues na casa desta em Lisboa.

Postado por Pássaro em 01:02 PM | Comentários (1)

dezembro 15, 2004

Porque não? Mesmo, mesmo… (Pássaro Distante)

I

Com receio de poder ser ostensivo,
Perturbando ser que sente mas não diz,
Nestas linhas vês, em jeito subversivo,
As razões por que não posso ser feliz.

Inundado pela tua elegância,
Qual discípulo de um povo superior
Que acolheu, numa única fragrância,
O teu gesto e perfume de amor.

II

Dá o braço que acolhe o meu desejo
Na carícia indulgente sufragada
Nesta voz que, em suspiro ou em solfejo,
Estremece de prazer na madrugada.

Abre os olhos para um mundo invisível
Que boceja com a minha solidão
E fomenta ser tão pouco apetecível
Para quem não tenha a luz no coração.

Mostra a face desse teu interior
Ofuscada pelo brilho da cidade
Implacável, insensível: que horror!
Tolerante com os excessos de vaidade…

Sente o cheiro desta tua margarida
Bem tratada no calor do teu quintal
Florescendo libertina e concorrida
E amada em terras de Portugal.

Vê nas letras estes poros transpirados
De desejos, de paixão e de carícias,
Ansiando por teus dedos delicados
E também pelas tuas doces malícias.

Nesta noite que subverte a compostura
E ilude a puritana lucidez
Trago dentro desta caixa de costura
Os remendos de quem sofre. Mas não vês…

Aproveito que não tenho o conversível
- Nem importa que não seja um Lamborghini –
Para não lançar ao vento a dor terrível:
Viver longe do meu doce Padmini.

Neste grito de silêncio mal contido
Atiçado por teu ser, ora pantera,
Deixo um beijo e um segredo ao ouvido:
Um sorriso com sabor a Primavera.

III

Ofuscado nesta fuga esvoaçante
Sigo o trilho que me dá tua morada…
Não bastasse ser um Pássaro Distante
Que sonha compartilhar cada balada.

E tal como essas inúmeras flores
Que florescem rodeando o teu jardim
Eu desejo que vivas cheia de amores...
Mas que guardes todo o teu amor para mim!

Postado por Pássaro em 10:11 PM | Comentários (6)

Nem às Paredes Confesso

Não queiras gostar de mim
Sem que eu te peça,
Nem me dês nada que ao fim
Eu não mereça
Vê se me deitas depois
Culpas no rosto
Eu sou sincero
Porque não quero
Dar-te um desgosto

[refrão:]
De quem eu gosto
nem às paredes confesso
E nem aposto
Que não gosto de ninguém
Podes rogar
Podes chorar
Podes sorrir também
De quem eu gosto
Nem às paredes confesso.

Quem sabe se te esqueci
Ou se te quero
Quem sabe até se é por ti
que eu tanto espero.
Se gosto ou não afinal
Isso é comigo,
Mesmo que penses
Que me convences
Nada te digo.

Música: Ferrer Trindade, Artur Ribeiro
Letra: Maximiano de Sousa
Intérprete: Amália Rodrigues

Postado por Pássaro em 01:36 PM | Comentários (4)

dezembro 09, 2004

ACONCHEGO - Centro de Acolhimento para crianças em perigo

Chegou às minhas asas uma carta de apresentação de um Centro de Acolhimento para crianças desprotegidas (dos 0 aos 12 anos de idade) que se encontram em situação de perigo com carácter urgente e transitório, que fica situado no Ex-Complexo turístico da Matur, Casa 14, Água de Pena, 9200 - 013 Machico (Ilha da Madeira): Telefone: 291 966 496.

Sei que há muitos madeirenses que visitam os Sete Ofícios... espero que a mensagem que a seguir reproduzo além de vos tocar no coração faça com que sintam vontade de agir. E que façam o inverso dos comentários que não deixam por cá... perdoem-me a bicadinha...

Os contributos de empresas serão dedutíveis de IRC ao abrigo da Lei do Mecenato.

«O envolvimento de todos é fundamental para que as crianças provenientes de famílias disfuncionais, desprovidas de carinho e de afecto, possam sorrir e ACREDITAR!

Estas crianças chegam-nos carentes, assustadas, fragilizadas, maltratadas e mal amadas! Proporcionar-lhes um ambiente acolhedor tão próximo quanto possível de um ambiente familiar estável é um dos nossos principais objectivos.

Apenas com a conjugação de esforços, materiais e humanos, é possível delinear e concretizar um trabalho desta natureza.

Um pequenos contributo pode fazer a felicidade de uma criança. De muitas crianças...

SEJA AMIGO DO ACONCHEGO!
Telefone: 291 966 496

N.º de Conta bancária do Centro de Acolhimento Aconchego: 0038 0010 26251578771 49

Carta de uma Criança de 9 anos

«A minha casa é diferente dos outros meninos. Mas não tenho vergonha de dizer que vivo no Centro de Acolhimento. (...) aqui não falta comida nem amor. Ás vezes sinto-me triste com saudades de meus pais, mas logo passa com o mimo das minhas titas. Aqui nunca me sinto só, tenho sempre alguém a olhar por mim. É bom saber que existem pessoas que se preocupam comigo. (...) Eu gosto de viver na minha casa.»

... Porque o melhor do mundo (ainda) são as crianças...

Postado por Pássaro em 08:21 AM | Comentários (11)