Dia 19 de Agosto de 2003 foi um dia trágico, pois o Brasil perdeu um dos seus mais proeminentes diplomatas, ainda que ao serviço da ONU.
Sob os auspícios da Organização das Nações Unidas, Sérgio Vieira de Mello desempenhou um papel relevante na estabilização de Timor Leste, após o referendo que permitiu ao povo timorense a sua auto-determinação, ganhando, com o seu trabalho, a admiração do povo mauber e do povo português.
Perder Sérgio Vieira de Mello foi como se tivéssemos perdido um familiar querido.
De acordo com a Revista Visão (www.visaoonline.pt) "Chamava-se Abou Farid al-Masri o bombista suicida egípcio que, a 19 de Agosto de 2003, protagonizou o pior ataque alguma vez sofrido pelas Nações Unidas... no qual morreram 23 funcionários".
Neste 1.º aniversário dessas mortes desnecessárias deixo o meu lamento, a minha saudade e a minha acusação: George W. Bush é o culpado, quanto mais não seja por dolo eventual!
Brilham meus olhos
Pelos olhos teus:
Amantes… presentes.
Lágrimas aos molhos,
Nas horas de adeus,
Caem… dormentes.
Mexem as águas
Por ti agitadas
Nesses pés descalços:
Ficam as mágoas,
No peito gravadas,
Por tantos percalços.
Em mim navega,
Profundo, teu corpo:
Agitado encanto!
O meu ser sossega
Deitado num porto
Que te quer tanto… tanto!
Meus olhos cintilam,
Estando a mil milhas
Do teu horizonte:
Ausências refilam.
Dirão maravilhas
Ao ter-te defronte.
Ò ave liberta
Por conta dum vento
Que te ilumina:
Fui a descoberta
Do teu sentimento...
Olhar de menina!
Calo o meu berro
Outrora urdido
Em leve surdina.
No peito encerro
Um sonho querido
Ou Graça Divina!
Deste-me o sonho
E o teu sorriso
Aos quais estou preso.
Fico risonho…
E bem que preciso
Manter-me aceso…
És anjo? Ou diabo
A atazanar
Pacata essência?
… Meu peito agitado
Por pouco arriscar
Na tua vivência…
Lágrima sincera
Estampada num rosto
Quase juvenil.
Porque a Primavera
Nasceu em Agosto
E fez-me febril!
Onde estão teus olhos verdes?
Que me encharcam de saudade
Dentro de quatro paredes
Insensíveis à vontade.
Onde está tua doçura?
Que me enche de alegria,
De amor e de ternura
E que agora é nostalgia.
Onde está teu ser excitante
Encharcado de paixão
Por essa Ave oscilante
Voando na solidão?
Onde estão os teus abraços?
Parceiros de caminhadas
De alegrias e cansaços
Ou choros nas madrugadas.
Onde estão teus olhos quentes
De desejo amordaçado,
Brilhando, de tão dormentes,
Neste sono agitado?
Onde está a dançarina
- Poesia em movimento –
Que apagou a lamparina
E esvaiu-se às mãos do vento?
Onde está tua sonata?
Pela estrela acompanhada,
Numa postura cordata,
Com o som da madrugada?
Onde está a tua estrofe
No poema que há em mim?
Vê o verso que bem sofre
Num horizonte sem fim…
Onde está a pradaria
Que acolhe o teu descanso?
Meu olhar é romaria
Em busca desse balanço.
Onde estás, olhos perdidos?
Alagados de passado?
Ou de sonhos corrompidos
Em leito de braço dado?
Diz-me onde estão teus olhos!
Procurei por todo o lado,
Nas ondas tornadas folhos:
Lágrimas de azul salgado.
A brisa que me acompanha
Desliza pela baía (sem h...)
E chega, com artimanha,
À Casa da Maresia.
Na curva, aqui destacada,
Nos confins de um mar ileso,
Envolta em água salgada
Dedica-me o seu desprezo.
Ninguém a mantém serena
Pois foge pela calada...
Muito levada, a pequena
Que brilha em cada balada.
Na alma: a liberdade;
Nos olhos: a ousadia;
No peito: a eternidade;
No jeito: sua magia.
Circula no pensamento
Como uma bailarina
Embalada pelo vento,
De volta a esta colina.
Regressando à Maresia
Descalça, pelo jardim,
Embala na poesia
Ao som deste bandolim.
Fechados os cortinados
Na hora da alvorada,
Seus olhos, de tão cansados,
Repousam numa almofada.
Seu corpo, ainda salgado,
Banhado pelo luar
Exige o meu abraçado
Enquanto não acordar...
Beijando o seu pescoço,
Porque já passa da uma,
Preparo o pequeno-almoço...
E uma banheira de espuma...
("Que tal nós dois?..."
Rita Lee)
Acorda bem-humorada:
Seu corpo é obra de arte;
Seus olhos: minha morada,
Onde não fico de parte...
Desperta para novo dia.
Exibe-me o seu sorriso
Num duche de água fria
Que encharca o nosso riso.
Envolta na literatura
Enquanto decorre a tarde
Faz pausa, para a loucura...
Que bem que seu amor arde!
A tarde passa depressa,
Preenchida no prazer,
Por uma ou outra conversa
E algo para beber...
Um sinal do pôr-do-sol
Entristece o meu olhar,
Quando vê esse cachecol
Colorindo o teu andar.
Hora de dizer adeus?
Teu espírito libertino
Que crava nos olhos meus
A marca do desatino.
De tristeza ensanguentado,
Camuflei tal sentimento.
Um corpo anestesiado
Sem ritmo pelo tormento.
Nem queria acreditar:
Era o último minuto
Em que via o teu olhar...
O meu peito está de luto.
(«Não te vejo não te escuto
O meu samba está de luto
Eu peço: o silêncio de um minuto»
Noel Rosa)
Prostrado no nosso cais
Conforta-me a Natureza,
Sentida por não ver mais
O teu rastro de beleza...
A tua delicadeza...
O teu doce de princesa...
Nas ondas de um mar calado
À espera do temporal
Um Pássaro agoniado
Afoga-se em Portugal...
(«É Doce Morrer no Mar
Nas ondas verdes do mar»
Dorival Caymmi)
Venham, venham! Venham Lindas
Contemplar vosso jardim!
E sejam muito bem vindas
Ao gorjeio de um passarim.
Cantando por este quintal
Repleto com vossas flores
De beleza sem igual:
Chamariz de muitos amores.
Contemplem as margaridas,
Minhas flores predilectas:
São tão brancas, são tão queridas
São tão doces, são... discretas.
Jardim de água salgada
Cuja relva (gramado) vira Cais
Recebendo, nas pedras da escada,
Mensageiras especiais.
Lindas que espalham no Mundo
A solidariedade
E seu jeitinho profundo
De embelezar a cidade.
No rescaldo duma balada
Se colhidas de cansaço
Descansem, pela madrugada,
Por este singelo espaço.
E tragam os lindos vestidos,
Extensão da vossa beleza
De tal forma confundidos
Com delícias da natureza.
Sou um simples jardineiro
Descansando a sua enxada
Debaixo do jasmineiro,
Ao pé da porta de entrada.
"Sete Ofícios", muito honrado
Com tamanha distinção,
Agradece, sensibilizado,
A vossa nomeação.