julho 30, 2004

Sem a Poesia que é Você - 2.ª versão

Eu sei que você sabe… quando eu toco bandolim
Eu choro a saudade por não estar no teu jardim.
Eu sei e você sabe que o Amor, Maior, consiste
No brilho duma alma que a tudo o mais resiste.
Por isso, meu Amor, junto de cada amanhecer
Veja, em cada flor, o meu Amor a florescer.

Assim como uma ave só é livre se voar,
Assim como meu sonho sem você não é sonhar,
Assim como um Pássaro vivendo sem querer,
Assim como as estrelas que cintilam sem saber,
Assim como escrever sem ver você não é escrever
Não há poema em mim sem a poesia que é você.

(Porque pensamento estático é perecer e porque só assim é respeitada a rima do poema no qual estas palavras se inspiraram: Eu não existo sem você)

Postado por Pássaro em 08:34 AM | Comentários (16)

julho 29, 2004

Sem a Poesia que é você (inspirado em "Eu não existo sem você" de Vinícius de Moraes)

Eu sei que você sabe… que eu sou louco por você
E olho para as estrelas na esperança de te ver.
Eu sei e você sabe que o Amor, Maior, consiste
No brilho duma alma que a tudo o mais resiste.
Por isso, meu Amor, junto de cada amanhecer
Veja, em cada flor, o meu Amor a florescer.

Assim como uma ave só é livre se voar,
Assim como meu sonho sem você não é sonhar,
Assim como um Pássaro vivendo sem querer,
Assim como as estrelas que cintilam sem saber,
Assim como escrever sem ver você não é escrever
Não há poema em mim sem a poesia que é você.


EU NÃO EXISTO SEM VOCÊ (Vinícius de Moraes)

Eu sei e você sabe já que a vida quis assim
Que nada neste mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
e todo grande amor só é bem forte se for triste.
Por isso meu amor não tenha medo de sofrer
Que todos os carinhos me encaminham a você.

Assim como o oceano só é belo com o luar
Assim como a canção só tem valor se se cantar
Assim como uma nuvem, só acontece se chover
Assim como o poeta só é poeta se sofrer
Assim como viver sem ter amor não é viver
não há você sem mim, e eu não existo sem você.

Postado por Pássaro em 08:10 AM | Comentários (12)

julho 26, 2004

Libertação

Naveguei pelo teu silêncio ausente
Embrenhado nessas ondas agitadas
E no vento que ensombrava a minha mente,
Deturpando as ilusões compartilhadas.

Naufraguei como um pirata despojado
Do tesouro que ilustrava o teu Ser
E brilhava, noite e dia, a meu lado
Adornando o mais cinzento amanhecer.

Embarquei na luz celeste e cristalina
Que, no sonho, com teu Ser se confundia:
Ponto de ordem para jornada divina...

Pensamento sem cordão umbilical
Ao triste corpo, no qual se inseria
E penava por viver em Portugal.

Postado por Pássaro em 01:34 PM | Comentários (0)

Libertação (Pássaro Distante)

Naveguei pelo teu silêncio ausente
Embrenhado nessas ondas agitadas
E no vento que ensombrava a minha mente,
Deturpando as ilusões compartilhadas.

Naufraguei como um pirata despojado
Do tesouro que ilustrava o teu Ser
E brilhava, noite e dia, a meu lado
Adornando o mais cinzento amanhecer.

Embarquei na luz celeste e cristalina
Que, no sonho, com teu Ser se confundia:
Ponto de ordem para jornada divina...

Pensamento sem cordão umbilical
Ao triste corpo, no qual se inseria
E penava por viver em Portugal.

Postado por Pássaro em 10:08 AM | Comentários (0)

julho 18, 2004

Círculo Vicioso

Suspenso pelo cais desta cidade
Buscando o sossego que não tenho
Olhando a estrela que me dá vontade
De abraçar o vento com empenho.

Abraço o vento como uma fusão
De sonhos, sombras, corpos e matérias.
Magia ofuscando este vulcão
De medos e fantasmas nas artérias.

Receios infamantes que debitam
A esperança dalgum dia caminhar
Sereno, como as luzes que acreditam
Ser espelhos para as noites de luar.

Na lua, que te estende a mão eterna
E esconde o doce de tão bela estrela,
Existe o ímpeto que desgoverna
A sensatez de nunca poderes vê-la.

Por isso é que regressas ao teu cais
Dum pensamento que é, em ti, incerto:
Tornando os humanos imortais
E trazendo os ausentes para perto.

Por certo gostarias de voar
Nas aspas deste tempo implacável
Que faz da nossa vida um lagar
Onde se espreme gente agradável.

Por certo gostarias de viver
Como uma aparência de espaço
A qual pudesse fazer-te mover
Diante das tormentas e cansaço.

Chegando a quem te dá as boas vindas
E que te faça sentir especial
Dizendo também as coisas mais lindas
E fundindo o Brasil com Portugal.

Fusão com seu efeito diferido
Devido às armadilhas do regaço
Que nega um ser humano divertido
Perdido na ilha do embaraço.

Se fala é votado ao ostracismo
E sem meios para sobreviver
Numa sociedade onde o cinismo
Subjuga o sadio desenvolver.

Nas teias de tão vil burocracia
Ceifada por uma debulhadora
Aquela a quem chamam democracia
É clone com vícios de jogadora.

Com trunfos de poder tão corrompido
Sustenta a mais diversa clientela
Imune a qualquer apelo amigo
Que evite o futuro numa favela.

Postado por Pássaro em 01:35 PM | Comentários (0)

julho 13, 2004

Ausência (Sophia de Mello Breyner)

Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua
Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.

Postado por Pássaro em 01:37 PM | Comentários (0)

Casa Branca (Sophia de Mello Breyner)

Casa branca em frente ao mar enorme,
Com o teu jardim de areia e flores marinhas
E o teu silêncio intacto em que dorme
O milagre das coisas que eram minhas.

A ti eu voltarei após o incerto
Calor de tantos gestos recebidos
Passados os tumultos e o deserto
Beijados os fantasmas, percorridos
Os murmúrios da terra indefinida.

Em ti renascerei num mundo meu
E a redenção virá nas tuas linhas
Onde nenhuma coisa se perdeu
Do milagre das coisas que eram minhas.

Postado por Pássaro em 01:36 PM | Comentários (0)